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  • Stephanie Bittencourt

Cuide das suas emoções!

Atualizado: Abr 9


Em nossa última conversa aprendemos que as emoções possuem um papel fundamental para a sobrevivência da espécie e nos oferecem os mecanismos necessários para uma solução rápida de problemas e para a comunicação interpessoal. Todos os seres humanos vão sentir algumas emoções, e não podemos negar que elas são as responsáveis por apresentar um colorido diferente a nossa vida.


Vai dizer que você nunca se emocionou com uma história comovente? Morreu de medo em um filme de terror ou ligava a televisão no domingo apenas para assistir as pegadinhas do Faustão? E se você evitou assistir aquele filme que contava a história sobre um cachorro e o seu dono, acreditando que iria chorar do início ao fim, saiba que é sobre isso que estamos falando.


Os escritores e os diretores sabem bem como utilizar das emoções para prender a nossa atenção, e quanto mais eles atingem nossos centros emocionais, sem dúvidas, maior é o sucesso das suas histórias. No entanto, muitas vezes o que é retratado na telinha não chega nem perto dos dramas diários que passamos, e ao contrário dos atores que através dos seus personagens encenam tão bem as emoções, na vida real, a maior parte das pessoas apresentam dificuldades para entendê-las e/ou expressá-las.


Bom, você já aprendeu que existe uma razão evolutiva para o surgimento das emoções, porém nem todas elas possuem a mesma função. Para isso, vamos partir do pressuposto que elas são processos determinados biologicamente, mas que podem adquirir novos significados a partir da interação com o ambiente.. Os quatro tipos de emoção apresentados por Greenberg (2011) são:


Primárias adaptativas: são aquelas emoções essenciais para a nossa sobrevivência, ou seja, aquelas que nos ajudam. Por exemplo: o medo quando precisamos evitar um perigo, a raiva diante de uma situação que precisamos nos defender ou a tristeza perante uma situação difícil que faz com que a gente reflita sobre algo ou receba apoio e compreensão de alguém. As emoções primárias adaptativas preparam nosso organismo para uma ação, são úteis e principalmente passageiras. Exemplo: Você decide fazer um exercício e vai até o parque da sua cidade, durante a caminhada percebe a presença de uma cobra - susto! O medo faz você se proteger, pular, gritar, correr ou apenas se afastar da ameaça. Ao se sentir seguro novamente, o seu medo vai passar.

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Primárias desadaptativas: Basicamente são o resultado entre as respostas emocionais inatas e as nossas experiências pessoais, visto que atribuímos significados às situações. Ou seja, elas também são reações diretas às situações, porém não ajudam as pessoas a enfrentarem as situações de uma forma construtiva.

Exemplo: Imagine uma pessoa que tenha passado por uma rejeição ou um abuso durante a primeira infância, as emoções armazenadas como a raiva e a tristeza podem fazer com que essa pessoa tenha dificuldade para criar vínculos e ter novos relacionamentos na fase adulta. Desconfiando assim das pessoas. As emoções primárias desadaptativas se expressam associadas a um viés que não nos ajuda, pois estão associadas a uma forte ativação emocional, pensamentos catastróficos e desqualificantes.

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Emoções Secundárias: São consideradas defesas ou disfarces as reações primárias, são aprendidas e não possuem um papel adaptativo.

Exemplo: Imagine um indivíduo que aprendeu que chorar é algo errado e que a tristeza simboliza fraqueza, e que em um determinado momento da sua vida ele perde uma pessoa muito amada. É natural e saudável sentir tristeza num momento como este, no entanto, por possuir um viés cognitivo (crença que é errado se sentir triste) o indivíduo acaba por camuflar essa tristeza e pode manifestá-la de forma secundária, através de uma raiva reativa e destrutiva, afastando algumas pessoas que poderiam confortá-lo e não se permitindo sentir a emoção necessária, no caso, a tristeza. Nesse caso, a raiva surgiu como proteção da tristeza ou ele pode ter sentido raiva de si mesmo por estar fragilizado e vulnerável.

As emoções secundárias podem acontecer também em resposta as cognições, como uma ansiedade que surge de preocupações excessivas.

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Emoção Instrumental:

é um comportamento emocional utilizado como instrumento para algum papel social ou para obter algum ganho de outra pessoa. Basicamente são emoções “fingidas” por alguém. Podem ocorrer de forma consciente e até mesmo através de hábitos, ou podem se manifestar sem que a pessoa tenha consciência.

Exemplo: uma pessoa que demonstra tristeza para obter atenção de alguém ou para se livrar de alguma consequência negativa. São disfuncionais pois podem adotar um caráter manipulatório, fazer com que a pessoa viva algo que ela não está sentindo e também dificulta as manifestações emocionais adaptativas do indivíduo.


Diante do exposto, é possível verificar a complexidade das nossas emoções e o quanto elas estão envolvidas em todos os processos das nossas vidas, de forma consciente ou não. O mais importante é entender que as emoções são o ponto de encontro entre os aspectos biológicos, as relações macro e micro sociais, a cultura e a história de um indivíduo. São assim fundamentais para a nossa existência e merecem a nossa atenção. Na psicoterapia é possível aprender a identificar, experienciar e entrar em contato com as nossas necessidades emocionais básicas. Cuide das suas emoções!








Referências:


DIAS, A. P. Emoções em Psicoterapia: Terapia Focada nas Emoções e Psicologia Positiva. Trabalho de conclusão de curso, disponível em: tcctfeepsicologiapositiva


GREENBERG, L. S. (2002). Emotion-focused therapy: Coaching clients to work through their feelings. Washington: American Psychological Association.


MENDES, M. A. Terapia focada nas emoções e processos de mudança em psicoterapia. Rev. bras.ter. cogn. [online]. 2015, vol.11, n.2 [citado 2018-10-06], pp. 96-104 .

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